O Projeto

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O rico universo popular brasileiro passa por um processo de deslocamento, adaptação e tradução para os meios digitais. Ofícios antes desenvolvidos por processos exclusivamente manuais aos poucos necessitaram incorporar técnicas e ferramentas digitais para manterem-se vivos e concorrerem com a produção de artefatos em larga escala. Foi assim que aconteceu com a indústria da comunicação visual brasileira. Com a introdução das novas tecnologias digitais, a maioria das antigas “oficinas de pintura” ou casas de “faixas e placas” desapareceram ou cederam espaço para empresas de sinalização e birôs de impressão, que incorporaram ao seu maquinário routers, plotters de recorte de vinil ou de impressão digital.

Nesse processo de transição, alguns artífices e mestres no fazer manual de placas e letreiramentos perderam seu lugar no mercado e foram obrigados a migrar para outras profissões para garantir seu sustento; outros se adaptaram às novas tecnologias; no entanto, muitos ainda resistem e continuam até hoje desenvolvendo seus artefatos de forma manual.

O trabalho de resgate do ofício dos pintores de letras em Pernambuco — que aqui denominamos abridores de letras — busca contribuir para o fortalecimento da Memória Gráfica Pernambucana, principalmente daquelas manifestações informais de design passíveis de extinção — como a gráfica popular —, com o intuito de tornar-se uma fonte de referência para o desenvolvimento de novos projetos que incluam, em sua essência, elementos da cultura local. Ao mesmo tempo, o projeto também busca revalorizar um ofício que se encontra marginalizado no mercado, para quem sabe reintroduzi-lo na cadeia produtiva local.

ABRIDORES DE LETRAS: O termo abridores de letras deriva da expressão abrir letras, utilizada pelos pintores para descrever a ação de desenhar o letreiro sobre o suporte escolhido.